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Um novo significado para a Envelhescência

Um novo significado para a Envelhescência

12 de maio

Um novo significado para a Envelhescência

 

A envelhescência é um termo criado pelo sociólogo Manoel Berlinck, que compreende os 45 aos 65 anos de idade, uma espécie de geração sanduíche entre a idade adulta e a velhice, à semelhança, aliás, do que a adolescência consiste entre as fases da infância e adulta.

Talvez seja por ambas serem fases de transição, que a adolescência e a envelhescência têm tanto em comum. Se a adolescência é uma espécie de estágio para se passar a adulto, a envelhescência é a preparação para nos tornarmos velhos. Alguém que não viva intensamente a sua adolescência, será seguramente um adulto infeliz e mal formado. Aquele que não aproveitar bem a sua envelhescência poderá se tornar, certamente, um velho casmurro e incompleto. O adolescente revolta-se porque os outros o (des)consideram criança e ele sente-se maduro. O envelhescente rebela-se porque os outros acham que está velho e ele, quando muito, se sente maduro.

Tal como a adolescência, a envelhescência vem acompanhada de grandes transformações. Fisicamente, na adolescência tudo é força e quantidade. O corpo cresce e fortalece, a barba e as borbulhas irrompem, os músculos tonificam, a energia não para e a libido explode. Na envelhescência, a opção é pela gestão e qualidade. A pele ganha rugas. Os cabelos embranquecem. A visão passa a ficar menos nítida... então, que a usemos melhor! Os músculos enfraquecem, orientamos melhor as nossas energias.

Psicologicamente, as alterações não são menores. A adolescência traz a ânsia de liberdade e a pressa em conquistar tudo. Provoca a rebeldia, a transgressão (fumar às escondidas dos pais) e a vontade de mudar o mundo. Incentiva a oposição a quem admira (os adultos) e origina muitos dramas e insatisfação. “Não há estrelas no céu a dourar o seu caminho”. A Envelhescência transporta consigo a angústia de estar próxima da velhice, mas também a segurança de quem já passou por quase tudo, nascimentos e mortes, amores e ódios, sucessos e fiascos. Traz o “bom senso” e o “dar tempo ao tempo”, mas o desejo de aproveitar intensamente cada minuto. Provoca o conforto das rotinas, além do anseio por viver novas aventuras. Gera o respeito pelas normas, porém a vontade de transgredir (fumar às escondidas dos filhos) e de inovar. Origina o respeito pelo que nos espera (velhice), mas procuramos evitar. É uma idade de contradições. “Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover”.

Profissionalmente, a envelhescência é, por tudo isto, a fase em que as pessoas podem dar maior contribuição sobre assuntos variados. Fisicamente, mesmo menos fortes e rápidos, aprenderam a gerir melhor as suas energias e ficaram mais resistentes. Psicologicamente, possuem a segurança de quem já fez e a abertura de quem sabe que ainda tem muito para aprender. Emocionalmente, apresentam o desejo de explorar ao máximo cada momento e o anseio de deixar a sua marca.

O que parece estranho é que a sociedade  na qual vivemos transmite, a essas pessoas, duas mensagem bem claras e paradoxalmente opostas: a primeira é que elas são ativos humanos importantes e ainda estão longe de poderem “arrumar as botas”, quanto mais não seja, porque os Estados não têm dinheiro para lhes pagar as pensões. A segunda é que, mesmo não estando velhos para trabalhar, estão fora de prazo para encontrar emprego. De fato, quem, se dedica ao recrutamento de executivos, assiste quase diariamente a formas de discriminação baseadas na idade (etarismo) que, para além de ilegais, são, como vimos, infundadas.

A vida pode não ser justa, mas continua a ser muito boa! Só temos de saber não deixar criar rugas na alma. Um novo significado à envelhescência!

 

Blog José Bancaleiro – gestor de Recursos Humanos

 

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